Projeto de lei federal quer tornar obrigatória vistoria técnica periódica em prédios com mais de 20 anos, coisa muito mais comum em países como os Estados Unidos
Acidentes recentes em edifícios deixaram a população bastante preocupada em relação à manutenção das estruturas prediais. No último dia 25 de janeiro, três prédios no Centro do Rio ruíram, deixando dezenas de mortos e feridos. Quase duas semanas depois, no dia 6 de fevereiro, desabamento parcial de um prédio em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, matou duas pessoas e deixou seis feridos. Especialistas apontam que realização de inspeções prediais periódicas poderia evitar as tragédias.
O engenheiro David Gurevitz, diretor da Clínica Delphi, afirma que a realização da vistoria, além de trazer mais segurança à edificação, evita desperdício.
“Qualquer anomalia vai ser detectada cedo, tornando a solução do problema mais rápida e reduzindo custos com consumo de energia, de água e a quebra de equipamentos”, explica Gurevitz.
A inspeção predial é algo muito mais comum em países como os Estados Unidos, afirma David Gurevitz. De acordo com ele, antes de comprar um imóvel, o consumidor norte-americano costuma realizar uma vistoria.
“O brasileiro compra um apartamento porque acha bonitinho. As pessoas não procuram saber sequer se o imóvel tem água, se existe um vazamento ou infiltração”, argumenta.
David Gurevitz conta que a realização de uma inspeção predial pode sair por até R$ 5 mil, dependendo da quantidade de unidades e das instalações da edificação.
Na semana passada, uma comissão de engenheiros convocada pelo Clube de Engenharia do Rio de Janeiro sugeriu a criação de uma lei estabelecendo obrigatoriedade de obtenção de certificação de inspeção predial em todas as edificações que sejam habitadas por mais de uma família. No entanto, o senador Marcelo Crivella (PRB/RJ) já apresentou o projeto de lei nº 491, de 2011, que vai ao encontro da proposta do Clube de Engenharia.
“No projeto que eu apresentei todos os edifícios com mais de 30 anos precisam fazer inspeção a cada cinco anos. E quando chegar a 50 anos, ele (o edifício) teria que ser inspecionado todos os anos”, conta Crivella.
O senador explica que o projeto prevê a inspeção de um engenheiro habilitado pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), que emitirá um Laudo de Inspeção Técnica de Edificação (Lite).
“Depois da vistoria, o engenheiro preencherá uma ficha informando se o prédio está normal, precisa de reparos ou será interditado”, explica o senador.
O projeto está em análise na Comissão de Desenvolvimento Regional e Tursimo (CDR) do Senado. O senador crê que até meados deste ano, a proposta possa ser aprovada e sancionada pela presidente Dilma Rousseff. Para Crivella, se a proposta estivesse em vigor, o desabamento do Edifício Liberdade, o primeiro a ruir no Centro do Rio, provavelmente não teria ocorrido, pois teria sido fiscalizado.
O presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro, que esteve reunido na semana passada com Marcelo Crivella, aprova o projeto, mas defende a redução do prazo.
“Nos primeiros cinco anos, o prédio é de responsabilidade da construtora. Então não é preciso laudo. Com dez anos, entendemos que é necessária uma inspeção”, propõe Guerreiro.
Os engenheiros do Clube de Engenharia afirmaram que somente a ruptura de um pilar poderia ter provocado o desabamento da forma como aconteceu.
“Esse tipo de acidente normalmente ocorre por imperícia em alguma obra que não esteja sendo devidamente acompanhada por profissional habilitado. É possível que um pilar tenha sido danificado”, disse o vice-presidente do órgão, Manoel Lapa.
Segundo ele, um furo feito em um pilar pode afetar sua capacidade, fazendo com que ele não tenha mais condições de resistir. Já o engenheiro Gilberto do Valle foi mais taxativo.
“A única coisa certa é que um prédio com 70 anos não cai, a não ser que tenha sua estrutura agredida de alguma maneira”, afirmou Valle.
O presidente do Crea concorda com Valle. Agostinho Guerreiro lembra que nos Estados Unidos e Europa existem prédios muito antigos e altos que estão em perfeito estado de conservação.
“Nós especialistas sabemos que a questão não é a idade. Mas a manutenção. Temos prédios de 200 anos na Europa que estão perfeitos. Nova York tem arranha-céus com mais de 90 anos que estão perfeitos”, opina.
Além de engenheiro, David Gurevitz, é síndico de um prédio de mais de 60 anos no Centro do Rio. Ele afirma que a estrutura está perfeita graças a vistorias e manutenção regulares.
“A estrutura está perfeita. Temos problemas com a parte elétrica, que estamos trocando aos poucos”, completa.
Fonte: Jornal O Fluminense


Os presidentes dos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul, engenheiros Jary Castro e Alcides Capoani, foram recebidos na segunda-feira (13), em Brasília, pelo senador Marcelo Crivella.
O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) esteve nesta sexta-feira (17/2), no Parque Centenário, em Duque de Caxias, para entregar a 23ª casa do Cimento Social, programa de habitação popular idealizado por ele.





















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