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Mario Piccolo abre o espaço “Artigos dos Amigos”

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Lixo, educação ambiental e poder público

MÁRIO PICCOLO*

Na Espanha há um ditado popular que diz: “a cidade mais limpa não é a que mais se varre, mas a que menos se suja”. Analisando a frase, concluímos que grande parte da culpa pela poluição desenfreada em nossas cidades é da própria população que quer despejar seu lixo em dias, horários e lugares completamente inadequados para essa prática.

Mas vamos dizer também uma outra verdade: em regiões esquecidas ou negligenciadas pelo poder público, notadamente a Baixada Fluminense e os subúrbios cariocas, onde parece que saneamento básico não é nenhuma prioridade, a coleta e o processamento do lixo não é lá nenhuma maravilha.

Aliás, muitíssimos bairros da maioria absoluta (para não dizer de todos) os municípios da Baixada não têm qualquer tipo de calçamento. As zonas norte e oeste do Rio, com ruas pessimamente pavimentadas e sem iluminação suficiente, dificultam a integração da cidade. Pergunto: onde não passa nem ônibus, nem ambulância… vai dizer que entra caminhão de lixo?

O problema da poluição urbana, onde paisagens inteiras estão repletas de maus exemplos com relação ao descarte inadequado do lixo é tão desastroso que se tornou um verdadeiro desafio para os administradores públicos.

Garrafas plásticas, sacolas de supermercados, pneus, pilhas, baterias e móveis são apenas alguns exemplos dos problemas enfrentados pelas cidades.

Estudos recentes mostram que pelo menos 30 % do lixo está espalhado pelas ruas das grandes cidades do país e que apenas 5% dos rejeitos coletados são encaminhados à reciclagem e o resultado não pode ser outro que não doenças, entupimento de bueiros, enchentes, etc.

E falando em reciclagem, fica cada vez mais difícil entender porque iniciativas inovadoras como os programas de integração social em que trabalhadores podem retirar do lixo o seu sustento, raramente encontrem a atenção dos administradores públicos.

A única solução conhecida para resolver o problema do lixo nas grandes cidades é o somatório de uma boa coleta e processamento feito pelas autoridades constituídas, bem como a cooperação dos cidadãos que colaborariam bastante se somente  evitassem jogar seus restos na rua.

Enquanto o mundo desenvolvido (Europa, Canadá, Estados Unidos, Japão) já estudam como transformar lixo em arte e em fonte de energia limpa, como resultado de um projeto de desenvolvimento sustentável e de reutilização consciente e sistemática do lixo para a preservação do meio-ambiente, nós estamos marcando paço, sem saber o que fazer com o que sobra do nosso almoço.

*MÁRIO PICCOLO estudou história na UFRJ, foi comentarista do programa Fala Baixada da TV CNT, debatedor da Rádio Manchete e é servidor público estadual no Rio de Janeiro.

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