Por Denise Luna
RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estimou em 4,5 bilhões de barris o volume recuperável de petróleo em área que explora no pré-sal da bacia de Santos, o que se configura como a segunda maior reserva de petróleo do Brasil, atrás apenas do megacampo de Tupi.
O supercampo, batizado informalmente de Franco, está em área ainda não licitada pelo governo e poderá ser utilizado para a realização da operação de capitalização da Petrobras, em que a União cederia à estatal o direito às reservas em troca indireta por ações da companhia.
O poço foi perfurado pela Petrobras, contratada pela ANP para realizar o trabalho, em um prospecto com cerca de 400 quilômetros quadrados e detectou uma coluna com 272 metros de espessura efetiva com petróleo.
“A avaliação levou em consideração os mesmos padrões de cálculos adotados para a acumulação de Tupi, da Petrobras”, informou a ANP em nota, referindo-se ao primeiro poço da região do pré-sal a ter sua reserva divulgada.
Tupi, o maior campo de petróleo descoberto no mundo nos últimos anos, tem reservas recuperáveis de entre 5 e 8 bilhões de barris.
Para o consultor independente do setor de petróleo François Moreau, todo o otimismo do governo e de empresas envolvidas nos últimos anos com o pré-sal começa a se tornar realidade.
“Há dois anos, quando o UBS falava em ‘sugar loaf’, quando a BG declarava grande otimismo com a área, tudo isso está agora tendo a confirmação. O problema é a maneira como estão sendo feitas as coisas”, disse o consultor.
Sugar loaf (pão-de-açúcar, em inglês) é a denominação que alguns analistas deram para uma área nobre do pré-sal, que inclui vários campos com alto potencial.
Moreau disse acreditar que o Congresso deverá aprovar a capitalização da Petrobras, “o que não for royalty vai passar”, mas que o grande problema será o valor que o governo vai dar ao petróleo utilizado na cessão onerosa.
“O governo fala em 10/12 (dólares o barril) e o mercado fala em 6 (dólares o barril). Se o preço for alto talvez o mercado nem entre na capitalização”, avaliou o consultor.
Para Adriano Pires, diretor do Instituto Brasileiro de Infra-estrutura, a aprovação do Congresso não é mais uma barreira e após a divulgação do volume encontrado na área não licitada do pré-sal ficou mais fácil convencer os parlamentares.
“O fato da ANP divulgar logo o número ajuda a votação”, disse Pires. “No final, o Congresso vai ceder e votar”, apostou, ressaltando ter dúvidas se a Petrobras falou sério ao divulgar que faria a operação mesmo sem a cessão onerosa.
“Não creio que ela faça nada sem a cessão onerosa, ela está de olho nos 5 bilhões de barris”, explicou.
O processo de aumento de capital da Petrobras via cessão onerosa consiste na troca indireta pelo governo das reservas encontradas pela ANP por ações da Petrobras até o limite de 5 bilhões de boe. Já os acionistas minoritários, que possuem cerca de 70 por cento do capital total –o governo tem 32 por cento– teriam que fazer o aporte em dinheiro.
A parte dos minoritários poderia atingir 25 bilhões de dólares, segundo a Petrobras informou em março.
“O mercado está desconfiado com a Petrobras. Como uma empresa está tão endividada como ela e compra a Açúcar Guarani, programa construir 5 refinarias, coloca dinheiro em biodiesel? Se não tiver cessão onerosa, era melhor a Petrobras deixar a capitalização para o ano que vem”, afirmou.
Segundo ele, com o acidente da BP no Golfo do México a tendência é de aumento de custos na indústria e no momento o tamanho desse incremento ainda não está claro para o mercado.
Pires lembrou ainda que a empresa precisa aumentar as suas reservas para poder se endividar mais e bancar os investimentos previstos no plano de 220 bilhões de dólares para o período 2010-2014, já anunciado pela companhia.
MAIOR POTENCIAL
O diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, afirmou que “parece se tratar de um dos poços de maior potencial já perfurado no país”, o que aumentaria o otimismo do governo brasileiro em relação à região, segundo ele.
A perfuração está sendo feita a 195 quilômetros da costa do Estado do Rio de Janeiro, em lâmina d’água de 2.189 metros.
A ANP comprovou que o óleo encontrado no local é do tipo leve, cerca 30 graus API, de maior valor comercial por ser mais fácil de refinar.
O poço está a 41 quilômetros a nordeste do prospecto de Iara, onde foi descoberto petróleo leve de 28 graus API e reservas estimadas entre 3 e 4 bilhões de barris de óleo equivalente.
“A ANP está estudando a oportunidade de efetuar de imediato os testes de formação a fim de verificar a produtividade do poço 2-ANP-1-RJS”, informou a autarquia no comunicado.
A ANP informou ainda que já começou a perfurar o segundo poço para a chamada cessão onerosa, o 2-ANP-2-RJS, localizado a 32 quilômetros a este-nordeste da primeira descoberta, no prospecto Libra, utilizando o equipamento NS-21 (Ocean Clipper).




















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