Integrante da base aliada do governo federal e um dos principais articuladores do presidente Lula no Congresso Nacional, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) será o mediador de um acordo entre os profissionais da área de educação física e o governo. A decisão saiu após audiência pública realizada na última quinta-feira, na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no centro do Rio, quando Crivella foi ovacionado e teve reconhecida sua luta em benefício dos profissionais de educação física, ao falar sobre a emenda de sua autoria que derruba o artigo 90-E, do projeto de lei que altera a Lei Pelé e tenta criar a figura do monitor de esportes.

Se a lei, já aprovada na Câmara, passar no Senado, qualquer ex-atleta que tenha exercido determinada modalidade esportiva por três anos consecutivos, ou cinco anos alternados, passa à condição de monitor de esportes, o que equivale à função de professor, sem a necessidade de ter curso superior.

Apesar da disposição dos mais de 300 estudantes e profissionais de educação física presentes à audiência pública de ‘invadir’ o Senado para pressionar os parlamentares a aprovar a emenda de Crivella, decidiu-se por um acordo. O próprio Crivella negociará (com o apoio dos deputados federais Otávio Leite e Solange Amaral, e do deputado estadual Chiquinho da Mangueira) com o presidente Lula e os ministros da Casa Civil, Alexandre Padilha, e do Esporte, Orlando Silva, a aprovação de toda a Lei Pelé, com o veto ao artigo 90-E.

O professor Ernani, um dos principais articuladores do movimento de resistência, mostrou-se “surpreso e inseguro” sobre o acordo, mas disse confiar em Crivella. “Podemos confiar no Crivella, que em outra oportunidade já negociou um acordo com o governo em prol do profissional de educação física, e o Lula cumpriu com a palavra empenhada. Á época, o Crivella, que é o senador da educação física, disse: ‘Confia, Ernani!’ Eu confiei e alcançamos nossos objetivos”, disse Ernani.

Após elogiar a incansável luta do professor Ernani nos corredores do Congresso, Crivella lembrou a dificuldade que a categoria teria se partisse para um confronto com o governo, no voto. Crivella lembrou que o governo tem interesse em aprovar o projeto sem alterações para que ele não tenha que voltar à Câmara, reiniciando a tramitação e atrasando o processo, contrariando muitos interesses.
“O relator, Alvaro Dias, se mostrou simpático à nossa causa, mas me disse que tem sofrido grande pressão dos líderes do governo para dar parecer a favor da aprovação da lei. Por isso, vejo com bons olhos um acordo”, comentou Crivella.

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