*Lúcia Coraça

Na Holanda e Alemanha, os resíduos são incinerados, gerando energia elétrica e vapor usado no aquecimento urbano

A situação atual da disposição de resíduos sólidos urbanos no Brasil ainda está muito aquém do mínimo necessário para considerarmos que estamos, efetivamente, tratando do problema de uma forma definitiva. Atualmente, cerca de 30% do lixo urbano no Brasil são enviados a aterros sanitários ou aterros controlados enquanto os 70% restantes de resíduos são enviados a lixões, onde são dispostos sem qualquer tipo de tratamento ou controle. Assim, qualquer proposta que venha a melhorar este quadro é válida, como a do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que propõe o uso do metano liberado em aterros sanitários ou aterros controlados para geração de energia em cidades com mais de 200 mil habitantes. Porém, é preciso uma avaliação mais detalhada e a comparação desta tecnologia com outras disponíveis, como, por exemplo, a incineração desses resíduos.
Nos aterros sanitários ou controlados, o resíduo libera metano e outros gases para a atmosfera. O metano é um dos gases causadores do efeito estufa, sendo seu efeito 21 vezes mais nocivo do que o do gás carbônico (CO2). Portanto, sua queima traria dois benefícios conjuntos, a redução de liberação de gases causadores do efeito estufa e, como subproduto da queima do mesmo, o aproveitamento do calor para a geração de energia.
Entretanto, a eficiência referente à captação do metano é baixa, isto é, de 30% a 40% do gás metano produzido no aterro ainda vai para a atmosfera mesmo considerando um aterro muito bem construído/executado. E, ainda, comparativamente com outro processo de produção de energia a partir do lixo, com a incineração de resíduos (mass burning), a produção de energia é pequena. Para se ter uma ideia, uma tonelada de lixo gera metano suficiente para a produção de 0,1 a 0,2 MWh de energia. Já a mesma quantidade de lixo, se incinerada, produz de 0,4 a 0,6 MWh.
Outro ponto importante é a questão do passivo ambiental gerado por um aterro sanitário. Após o esgotamento da capacidade do aterro para geração e captação do metano (aproximadamente 20 anos), ainda é preciso monitorá-lo e promover sua manutenção por mais 60 anos sem produção de energia e com um passivo ambiental muitas vezes perigoso, haja vista a triste tragédia pela qual passou a cidade de Niterói, no Rio de Janeiro.
Dessa forma, entendemos que há duas situações a considerar: aterros licenciados e proibição de aterros novos. Assim, para os aterros licenciados em cidades de qualquer tamanho, deveria ser obrigatória a captação de metano para produção de energia. E, seguindo uma tendência mundial, aterros novos deveriam ser evitados ao máximo com a adoção de outros tipos de tratamento de resíduos, como a incineração, por exemplo.
A incineração de resíduos, processo largamente utilizado na Europa e Japão, consiste na queima controlada do lixo em uma caldeira para geração de vapor e, posteriormente num turbo-gerador, para geração de energia elétrica. Esse processo é considerado controlado uma vez que é feita a limpeza dos gases efluentes para remoção dos contaminantes, não gerando poluição atmosférica. Atualmente o grande obstáculo à utilização desta tecnologia é o investimento necessário, aspecto este, contudo, possivelmente contornável através de legislação apropriada. Esta solução, portanto, é mais adequada a grandes centros produtores de lixo ou a consórcios de pequenas cidades, onde as entidades públicas sozinhas ou em conjunto têm os recursos necessários para viabilizar um empreendimento deste porte considerando-se os ganhos com a economia de escala.
É importante considerar que, em alguns países europeus, como Alemanha, Holanda e Dinamarca, já não há mais lixo “in natura” sendo jogado em aterros, pois suas legislações não permitem. Na Holanda e Alemanha, por exemplo, menos de 5% dos resíduos são dispostos em aterros. Nesses países a prioridade no tratamento de resíduos é a reciclagem, que, em alguns casos, chega a 50% do lixo gerado. Os resíduos não reciclados são incinerados, gerando energia elétrica e vapor usado no aquecimento urbano da região em torno da usina de incineração. Só na Alemanha há mais de 70 usinas de incineração, na França mais de 100 e em todo o continente europeu, mais de 400.
O modelo europeu foi construído ao longo de décadas e seria ousado acreditar que pudesse ser implantado em grande escala no Brasil, em curto prazo. Porém, precisamos caminhar em direção a um cenário nacional mais adequado para disposição de resíduos, sabendo que é necessário compatibilizar as soluções ambientais com as disponibilidades econômicas de cada região.

*Lúcia Coraça é engenheira mecânica e diretora de Química e Energia da Pöyry Brasil

Fonte: Valor Online

2 respostas »

  1. RONALDO ALVARES DE ABREU disse:

    ESTE TEM POR OBJETIVO ENFOCAR UMA SOLUÇÃO DE REAL ABRANGÊNCIA, NO CONTESTO DOS FATOS, PARA RESOLVER DEFINITIVAMENTE O CÁOS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS, NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO E EM QUALQUER OUTRO DA FEDERAÇÃO BRASILEIRA.

    A INICIATIVA PRIVADA ATRAVÉS DA PPP/SPE, EM PARCERIA COM AS COOPERATIVAS, DARÃO EFETIVAMENTE A DESTINAÇÃO FINAL DO PRODUTO RECICLADO COM AS INDÚSTRIAS RECICLADORAS.

    SEM CONTAMINAÇÃO DO SOLO E DO MEIO AMBIENTE.

    O TEMA DE ABRANGÊNCIA NACIONAL E INTERNACIONAL E APARENTEMENTE DIFÍCIL DE RESOLVER PELOS AMPLOS ASPECTOS DO ENVOLVIMENTO LEGAL, ESTRUTURAL, LOGÍSTICO/URBANO, FINANCEIRO, POLÍTICO E OUTROS.

    NO ENTANTO AFIRMO QUE: O CÁOS QUE O LIXO DEPOSITADO EM LIXÕES E TAMBÉM NOS ATERROS CONTROLADOS TEM PROVOCADO ATRAVÉS DAS DEZENAS DE ANOS, SEM A DEVIDA DESTINAÇÃO FINAL, TENDO COMO EXEMPLO O ATERRO DE GRAMACHO, QUE CONCEBIDO EXISTIR, POR 20 (VINTE) ANOS ESTÁ NUM ESTÁGIO DE AGONIA TERMINAL, POR 37 (TRINTA E SETE) ANOS.

    DESTINAÇÃO FINAL DE SEPARAÇÃO NO DIA, EM TEMPO REAL DO ORGÂNICO, PARA COMPOSTAGEM/E OUTROS, PLÁSTICO, ALUMÍNIO, VIDRO E PAPEL/PAPELÃO, COM 98% (NOVENTA E OITO POR CENTO) DO APROVEITAMENTO TOTAL DO RESÍDUO SÓLIDO, COLETADO PELOS CAMINHÕES DAS EMPRESAS JÁ LICITADAS E QUE É RECEPCIONADO DIRETAMENTE NAS MÁQUINAS DE SEPARAÇÃO, QUE DESTE ESTÁGIO EM DIANTE O MATERIAL/PRODUTO RECICLADO ESTARÁ DISPONIBILIZADO, PARA A INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO.

    ESTA TECNOLOGIA, JÁ EXISTE E INTERROMPE O CÍCLO DO LIXO, EM CONTATO DIRETO COM O SOLO.

    PARA TANTO SOLICITO, SE POSSÍVEL, O ACOLHIMENTO DESTE E A RESPECTIVA VEICULAÇÃO, PARA QUE ESTE CONTEUDO QUEM SABE CHEGUE AO CONHECIMENTO DAS AUTORIDADES, ASSIM TAMBÉM, DA INICIATIVA PRIVADA.

    NESTE ASPECTO INFORMO QUE A ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE CLUBE SOLUÇÃO, DA QUAL SOU O DIRETOR PRESIDENTE É A CAPTADORA DOS RECURSOS FINANCEIROS, PARA LANÇAR UMA CAMPANHA NACIONAL INTITULADA:
    “SOS – BRASIL/BR RECICLANDO O RESÍDUO SÓLIDO, LIXO URBANO (0) ZERO”…,

    EM CONSONÂNCIA COM O ART. 225 DA CONSTITUIÇÃO FEDERATIVA DO BRASIL:

    (TODOS TÊM DIREITO AO MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO, BEM DE USO COMUM DO POVO E ESSENCIAL À SADIA QUALIDADE DE VIDA, IMPONDO-SE AO PODER PÚBLICO E À COLETIVIDADE O DEVER DE DEFENDÊ-LO E PRESERVÁ-LO, PARA AS PRESENTES E FUTURAS GERAÇÕES).

    PROCURO PARCERIA, PARA FORMAR COM A INTERAÇÃO/INVESTIMENTO E OU PATRICÍNIO DE VÁRIAS EMPRESAS, UMA SPE (SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO), INSTITUINDO O PROJETO EMPRESA: SOS – BRASIL/BR RECICLANDO O LIXO PASSADO, PRESENTE E FUTURO LTDA.

    PARA DAR DESTINAÇÃO FINAL AO RESÍDUO SÓLIDO, USANDO A TECNOLOGIA SUL COREANA, QUE DEFINE O RETORNO DO INVESTIMENTO, EM 04 (QUATRO ANOS), TENDO 02 (DOIS ANOS) DE CARÊNCIA JUNTO AO BNDES, QUE FINANCIA ATÉ 70% (SETENTA POR CENTO) DO VALOR DAS MÁQUINAS, POR SEREM ITENS DA PAUTA DE IMPORTAÇÃO E NÃO TER SIMILAR NACIONAL.

    SAUDAÇÕES AMBIENTAIS.

    RONALDO A. ABREU
    TEL.: 21 78799956 – ID.: 12*38830
    E-MAIL: oestadorjcom@ig.com.br

  2. residuos disse:

    plan nacional de resíduos sólidos Brasil: http://www.redsolenergy.com / pnrs.pdf
    Plantas Tratamento BASURA_CERO ”
    Uma alternativa para os problemas ambientais dos resíduos sólidos urbanos é a construção de estações de tratamento, os resíduos sólidos para produzir electricidade.
    Em http://www.redsolenergy.com nós concepção e construção dos resíduos sólidos, eliminando assim o principal problema dos resíduos e na produção simultânea de eletricidade limpa e renovável. Nossas instalações e projetos para evitar que o ambiente emitem grandes quantidades de CO2, evitar problemas de resíduos, para eliminar focos da doença, a produção de electricidade limpa, renovável e criar empregos sustentáveis.
    Nós trabalhamos na construção de fábricas na Europa e América.

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