Conforme Colombini, negociações nesse sentido estão em andamento entre PRB e PSDB. Sobre a aliança nacional com a base de Lula, o presidente estadual do PRB disse haver muito “ranço” na base, o que facilitaria a união aos tucanos em Minas. “Por que não apoiaram o Crivella (senador Marcelo Crivella) para a disputa ao governo do Rio de Janeiro?”, reclamou.


No dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja por três municípios de Minas Gerais para inaugurar obras e autorizar o início de outras, o PRB mineiro, partido do vice-presidente José Alencar, está muito perto de ser a próxima baixa da aliança da base governista no Estado, o segundo colégio eleitoral do país, se unindo ao PSDB. O partido teve encontro nesta segunda com o governador Antonio Anastasia (PSDB) e pode selar ao menos aliança proporcional (para deputados federais e estaduais) com os tucanos. O motivo é o mesmo que levou o PR, na semana passada, a anunciar aliança proporcional com o PSDB e que pode resultar até mesmo em aliança formal para governador: a imposição do PT nacional, que eliminou a chance de o PT-MG ter candidato próprio ao governo de Minas ao obrigá-lo a apoiar o senador Hélio Costa (PMDB). O fato de o ex-prefeito petista Fernando Pimentel ter sido alijado da disputa, o PSB também deve anunciar nos próximos dias apoio formal ao PSDB mineiro. PR, PRB e PSB, contudo, devem continuar apoiando nacionalmente a candidatura presidencial de Dilma Rousseff (PT).


O presidente do PRB de Minas Gerais, Rogério Colombini, disse à Folha que José Alencar “está a par dessa situação” e que autorizou o partido a ir em frente com as conversas com o tucano Anastasia, candidato à reeleição. “Ele disse: ‘Tudo bem, vai em frente’”, afirmou Colombini. O que está em jogo é a pressão dos partidos do PRB para eleger deputados.  O PRB mineiro tem dois deputados estaduais e dois federais. Quer, no mínimo, manter esse número de deputados no Congresso e na Assembleia Legislativa de Minas. Se o PT tivesse candidato próprio, a aliança com os partidos da base do governo estaria assegurada porque haveria boas chances de os mandatos dos deputados serem mantidos.  Em aliança com o PMDB, contudo, não há segurança, já que o PT estará fora da chapa proporcional.
Os petistas decidiram que, sem candidato ao governo, não vão fazer coligação para deputados, caso contrário seria mais um “sacrifício” que o PT teria que fazer, porque estaria cedendo número 13 da legenda para ajudar a eleger candidatos de outras siglas.  “Agora esse sacrifício é do PMDB. Quem está sentado à cabeceira da mesa que pague a conta”, disse o presidente do PT-MG, deputado federal Reginaldo Lopes.  Diante disso, o PR e o PRB preferem se aliar ao PSDB, porque consideram que o número 45 teria a mesma utilidade do número petista para tal objetivo.  “Eu queria estar na aliança nacional e estadual [com o PT], mas não foi possível depois da lambada que o PT [nacional] nos deu. É a ditadura pelo voto”, afirmou Colombini.  Depois que for selada a aliança para a chapa proporcional com os tucanos, Colombini admite que poderá ser discutida e formalizada também para a chapa majoritária. “Esse negócio de apoiar pela metade não dá, não”, afirmou.
com Paulo Peixoto, da Folha de S.Paulo

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