Vinte cidades já registram epidemia. Subtipo da doença não aparecia há duas décadas
POR PÂMELA OLIVEIRA
Rio – O Estado do Rio pode ter uma epidemia de dengue no próximo verão. O temor das autoridades, que correm contra o tempo para reduzir o número de focos do Aedes aegypti, é a volta do vírus tipo 1 da doença, que este ano já foi isolado em pacientes no Rio, em Paraty, Angra dos Reis, Campos e Natividade. O vírus, que causou uma epidemia em 1986, não circulava desde o início da década de 90. Por esse motivo, todos os que nasceram depois desse período não têm qualquer imunidade contra ele. Desde janeiro, a reintrodução dos tipos 1 e 2 da dengue já causou epidemias em 20 dos 92 municípios do estado: 21 mortes foram confirmadas.

Ladeli, de Jacarepaguá, teve dengue 1 em dezembro. Para se livrar do mosquito, tira água das plantas | Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
“Trabalhamos com o pior cenário, que foi a epidemia de 2008, causada pelo vírus tipo 2. Mas esperamos que não aconteça. O tipo 1 foi identificado na Região Metropolitana e, por isso, intensificamos o trabalho de prevenção para evitar que ocorra epidemia no estado. Essa possibilidade preocupa porque o número de pessoas suscetíveis a esse tipo de vírus é muito grande, já que ele passou cerca de 20 anos sem circular”, explica o superintendente de Vigilância Ambiental e Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil, Alexandre Chieppe, que está em Brasília discutindo estratégias contra a dengue.
A estudante Ladeli Roncari, 22 anos, foi uma das pacientes que pegaram dengue tipo 1 no Rio. Moradora de Jacarepaguá, ele recebeu o diagnóstico da doença em dezembro. “Fiquei cinco dias de cama. Tive muita febre, enjoo e dor nas juntas. Eu nunca tinha sofrido de dengue, nem sabia que existem vários tipos da doença até o exame mostrar que estava com o tipo 1. Minha mãe já teve dengue hemorrágica e o médico disse que ela não pode ter dengue outra vez. Tenho medo que aconteça uma epidemia no Rio”, disse a estudante.
MOSQUITO EM AÇÃO ATÉ NO FRIO
O mosquito da dengue costuma se reproduzir mais no calor. Mas, apesar do tempo frio, cidades como Campos, Macaé, Angra dos Reis e Cabo Frio registraram aumento expressivo do número de doentes entre abril e maio, época em que geralmente é registrada queda. “Esse ano, a curva epidemiológica mudou em alguns municípios.
Os casos de dengue se estenderam para meses mais frios, o que não costuma ocorrer. Possivelmente, isso ocorreu devido à reentrada do tipo 1. Isso está sendo acompanhado, mas não conseguimos chegar a uma conclusão”, admite Chieppe.

Coordenadora da Vigilância Epidemiológica do estado, Rita Vassoler afirmou, segunda-feira, que 20 municípios do Rio ainda enfrentam atualmente epidemia de dengue. “Nesses locais, a incidência é maior do que 300 casos por 100 mil habitantes. Isso configura epidemia”, disse. Em Itaperuna, por exemplo, o índice de 2010, de acordo com o estado, é de 1.168 para 100 mil habitantes. A cidade registrou 388 casos de dengue em abril e 605 em maio. No ano passado, foram 11 casos em abril e 15 em maio. Chieppe, no entanto, afirma que o Rio hoje não tem epidemia. “Essas cidades tiveram epidemias, mas hoje o número de casos está caindo”, garante.
Focos do Aedes têm de diminuir até novembro
O Rio reúne duas características que, segundo especialistas, preocupam: pessoas suscetíveis ao vírus e grande quantidade do mosquito transmissor. No estado, 55% dos municípios estão em situação de alerta para surtos e epidemias, de acordo com o último Índice de Infestação Predial divulgado em março.
“Temos até outubro ou novembro para reduzir ao máximo o número de focos do mosquito. Estamos intensificando o trabalho. A perspectiva é termos mais dois mil bombeiros auxiliando os agentes dos municípios”, afirmou Chieppe. Hoje, já são três mil.
“Pela primeira vez, a Sala de Situação da Dengue, grupo interdisciplinar contra a doença, se manteve depois do término verão. A população precisa colaborar, já que a maioria dos focos está nas residências”.
Em fevereiro, o Ministério da Saúde já tinha alertado os estados do País para ficarem atentos quanto à possibilidade de reintrodução do tipo 1 da doença. Crianças e adolescentes nascidos depois da década de 90 podem ser as maiores vítimas.
LIVRE-SE DO MOSQUITO
PALESTRAS EM ESCOLAS
Na hora de combater a dengue, todo mundo deve fazer sua parte — inclusive os pequenos. Para orientar as crianças sobre como evitar os mosquitos, equipes do Corpo de Bombeiros, por meio do projeto Rio Contra Dengue nas Escolas, realizam palestras e atividades lúdicas. O objetivo é fazer com que as crianças entendam desde cedo que dengue é um problema grave e pode até matar. Confira as dicas abaixo e saiba como você pode fazer a sua parte.
EM CASA E NO TRABALHO
Encha de areia os pratinhos de vasos de plantas; lave com escova e sabão os tanques utilizados para armazenar água; deixe a tampa dos vasos sanitários fechadas. Em banheiros pouco usados, dê descarga pelo menos uma vez por semana. Verifique se há entupimento nos ralos e, se não for utilizá-los, mantenha-os vedados.
NO CONDOMÍNIO
Mantenha a caixa d’água, tonéis e barris sempre fechados com tampa adequada; não jogue lixo em terrenos baldios; não deixe a água da chuva acumulada sobre a laje; Remova folhas, galhos e tudo que possa impedir a água de correr pelas calhas.




















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